Redes de vigilância e segurança no Rio de Janeiro: primeiras anotações

Prof. Responsável: Rosa Maria Leite Ribeiro Pedro
Equipe: Iara Rocha, Ana Cláudia Damásio, Antônio Costa, Cristiana Gonçalves

Esta cartografia busca trazer algumas contribuições preliminares de uma pesquisa sobre dispositivos tecnológicos de controle e vigilância, cada vez mais disseminados no cotidiano dos grandes centros urbanos e suas repercussões em termos das formas de sociabilidade que engendram. Considerando que as políticas públicas de segurança têm encontrado nos dispositivos de vigilância um importante aliado, focalizamos no presente estudo uma das políticas públicas de grande visibilidade na atualidade: as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O Projeto das UPPs é o carro-chefe da “política de proximidade” da Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, que visa recuperar territórios empobrecidos e dominados por traficantes e levar a inclusão social às comunidade locais. Por mobilizarem, em sua dinâmica, dispositivos tecnológicos variados – por exemplo, o videomonitoramento – pode-se considerar que as UPPs se configuram como um ator privilegiado na produção da sociabilidade contemporânea, conectando-se a e influenciando diversos outros atores. Os debates suscitados a cada nova ocupação circulam juntamente com relatos de melhorias na qualidade de vida da população, mas também de confrontos armados, prisões e revoltas, todos podendo ser compreendidos como os efeitos primeiros dessa nova intervenção. A proliferação desses efeitos (muitas vezes contraditórios) nos oferece indícios de que este não é um projeto de fácil execução; que foram, são e serão necessárias muitas negociações na tentativa de produzir esse “coletivo”. Nessa produção misturam-se questões ditas “técnicas”, “políticas”, “econômicas”, evidenciando o quanto os diferentes atores se apropriam e constroem diferentes sentidos para as UPPs.

Propomos, neste projeto-piloto de cartografia de controvérsias ,rastrear essas diferentes apropriações/traduções em termos das controvérsias que fazem emergir. Nessa estratégia de pesquisa, buscamos compreender as redes que articulam vigilância, segurança e UPP como um coletivo cuja forma é efeito de relações heterogêneas, de negociações, de deslocamentos de objetivos e de interesses. Assim, será preciso “seguir” estes diferentes atores – especificamente aqui os formuladores e executores das políticas de segurança e vigilância articuladas às UPPs, bem como aqueles que integram uma comunidade em que a implantação da UPP se fez acompanhar da instalação do videomonitoramento – acompanhando e descrevendo como se estabeleceram neste cenário e como participam de sua dinâmica. Para operacionalizar esta cartografia, propomos uma dinâmica temporal em que rastrearemos a gênese da configuração atual, em termos das dinâmicas de traduções recíprocas que concorreram para sua (meta)estabilização (entendendo que redes são efeitos de outras redes); as controvérsias que não encenadas na atualidade (quais os principais porta-vozes, que traduções são mobilizadas, e se há indícios de fechamento das controvérsias/estabilização); e prospecção futura, em termos do que os atores mobilizam quando prospectam as possíveis direções do coletivo (atentando para a potência ontológica de tais prospecções).

Considera-se que esta cartografia de controvérsias permitirá lançar luz sobre os novos arranjos sociais e urbanos, bem como sobre as formas contemporâneas de produção da segurança e da “paz” que se encontram em ação na cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista que as novas tecnologias de vigilância participam da configuração sócio-política da cidade.

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