FOTO-ARTE-COMUM: fronteiras e tensões nos usos da fotografia contemporânea

Apresentação

A demarcação dos territórios profissionais, autorais, artísticos, amadores, privados, comuns  é própria da fotografia e da tensão que ela guarda dentro de si. Dentro das tensões do campo fotográfico, a cada momento as perguntas “O que faz um fotógrafo?” e “O que faz um artista?” são colocadas e as tentativas de respostas direcionam a organização destes coletivos e de seus possíveis limites fronteiriços. Essa partilha do sensível (RANCIÈRE, 2009) organiza no campo da fotografia as hierarquias e papéis sociais diante das funções que este dispositivo pode assumir.Tais disputas estão presentes desde os primeiros debates decorrentes da apresentação desta invenção ao público, à criação do movimento pictorialista do final do século XIX e começo do século XX, nos clubes e sociedades de fotografia, passando pelas vanguardas modernas do século XX e a concomitante expansão dos usos privados da fotografia e do fotojornalismo, até as dinâmicas contemporâneas da fotografia artística e do seu uso social disseminado pelas novas tecnologias digitais e da web.

Esta controvérsia referente à formação dos grupos  visa problematizar os usos sociais da fotografia: sua presença no campo da arte enquanto objeto extraordinário e seus usos comuns, buscando compreender as fronteiras, tensões e complementaridades nas práticas contemporâneas da fotografia. Pensando a fotografia enquanto rede, ou seja, coletivos sociotécnicos formados por sujeitos, discursos e tecnologias (LATOUR, 2007, 2009), pretendemos rastrear a ecologia dessas imagens em situações de exposição e circulação que oscilam entre diferentes regimes de visibilidade, situações de cruzamento entre o “comum ordinário” e o “artístico extraordinário”, compreendendo que essas imagens na fronteira tencionam e conciliam marcas da visibilidade desses sistemas de partilha, o excesso e a unicidade; o compartilhamento e a exclusividade.

Para esse exercício metodológico da Cartografia de Controvérsias propomos seguir os rastros da  exposição “From here on” (2011), com a curadoria de Clément Chéroux, Joan Fontcuberta, Erik Kessels, Martin Parr e Joachim Schmid, que “selecionam naturalmente o trabalho de artistas plásticos que reciclam, experimentam e remixam conteúdos coletados na web, em uma investida apropriacionista voluntariamente lúdica desenhada como princípio da ecologia numérica” (GUNTHERT, 2011 a).[1]

A exposição “From here on” aconteceu primeiramente durante o festival Rencontres d’Arles  entre 04 de julho e 18 de setembro de 2011 (http://www.rencontres-arles.com/A11/C.aspx?VP3=CMS3&VF=ARL_3_VForm&FRM=Frame%3aARL_7&LANGSWI=1&LANG=French). Mais recentemente, esta mesma exposição foi exibida no museu Arts Santa Monica, em Barcelona, no período de 21 de fevereiro a 13 de abril de 2013.

Material reunido sobre a exposição: http://www.scoop.it/t/from-here-on

Temas

(1) A fotografia como objeto extraordinário artístico  e como objeto banal, ordinário e comum

(2) Excesso e Unicidade, Compartilhamento e Exclusividade nos modos de exposição da fotografia

 

 

Penelope Umbrico – Suns

 

 

Corinne Vionnet – Photo-oportunities

Frank Schallmaier – Silhouettes (série NO PIC NO POINT)

Ewoudt Boonstra – da série Anonymous

 

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