Curso Redes, Jogos, Mapas

A lista dos alunos aceitos sai amanhã no início da tarde.



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Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Comunicação
Curso de graduação e extensão (aberto a participantes de fora da UFRJ)
Data: 4 de setembro a 27 de novembro. Horário: Quarta-feiras, das 11h às 13h
Laboratório: 18 a 26 de Outubro (intensivo)
Professores: Ivana Bentes, José Messias Santos, Kênia Freitas e Pablo de Soto
Código da Disciplina: ECS500
Local: Auditório da CPM da ECO UFRJ

Ementa:

O curso se propõe a pensar as redes, os jogos e os mapas: como conceitos e ferramentas dos coletivos artivistas e das lutas de resistência contemporâneos. Pensando estes elementos a partir da sua historiografia e de uma revisão bibliográfica conjuntamente com as experiências concretas, ou seja, ao mesmo tempo uma teoria e uma prática.

Em que sentido as redes se constituem como um campo de disputa de significados e produção de subjetividade? Como os jogos e o entretenimento em geral podem fazer parte de um projeto político de constituição do comum? Qual o papel dos mapas neste novo ciclo de luta globais? São algumas das questões que buscaremos responder ao longo deste curso.

Para isso, cada aula será dividida em dois momentos: 1) Uma apresentação do tema, baseada na bibliografia proposta. 2) Seminário apresentado por um palestrante convidado em que serão discutidas as questões em seus aspectos mais práticos da atuação dos coletivos.

Além disso, durante uma semana, propomos uma imersão prático-teórico-metodológica no laboratório de Mapeamento do comum em distintos espaços na cidade.


Programa:

04/09 – Apresentação da proposta do curso.
Conceituação e historiografia. O que é a Cultura das Redes? Quais as principais experiências e coletivos contemporâneos? Pelo que eles se caracterizam? Quais as metodologias? Redes P2P. O que é? Quais as experiências?

11/09 – Arquitetura lógica da internet.
Pensar a estrutura física da rede. Pensar como a internet e a computação funcionam. Que tipo de pensamento e cultura essa arquitetura leva? A forma como a rede e a informática /se desenvolveram não está desassociada de seus usos potenciais. É preciso conhecer para reprogramar/recodificar: confluências entre informática, design e comunicação.

18/09 – Rede ativismo.
Pensar o Novo Ciclo de Lutas Globais a partir de uma reflexão sobre o ciclo que teve início em Seattle. Como esse ativismo se transformou ao longo dos anos – de 1999 a 2011? Quais foram as inflexões políticas e tecnológicas do período? Experiências contemporâneas:, Primavera Árabe, Revolução Islandesa, 15M, Occupy Wall Street, Greve Estudantil do Chile, #OcuppyGezi.

25/09 – Função-autor-anonymous e as estéticas da existência.
Relação entre autoria e anonimato nas ações políticas contemporâneas. Como as questões acerca das técnicas de si e do governo de si e dos outros ajudam a compor a multidão para além das subjetividades.

02/10 – Rede-ativismo-arte.
Artivismo: como os coletivos artísticos estão operando com o hibridismo entre arte e ativismo? Anonymous, Pensar as estéticas audiovisuais/artísticas que perpassam os coletivos: mixagem, apropriação, desvio, ocupação do espaço urbano e virtual.

09/10 – Mapeamento/cartografia nas redes.
Novos mapas de visualização dos coletivos, movimentos e ativismos na rede. Pensar a confluência dos territórios urbanos e virtuais. Os mapas do #15M: do rizoma ao sistema-rede constituinte. O arte da cartografia das multitudes conectadas. Ferramentas de análise: extração de dados, visualização.

18 a 25/10 – Laboratório: Mapeando o bem comum do Rio de Janeiro.
O conceito recorrente de commons se elabora sobre a ideia de que, em nosso mundo atual, a produção da riqueza e a vida social dependem em grande medida da comunicação, da cooperação, dos afetos e da criatividade coletiva (Negri e Hardt). O “bem comum”, termo em português que mais se aproxima do conceito de commons, seria então os ambientes de recursos compartilhados, que são gerados pela participação de muitos e que constituem o tecido produtivo essencial das metrópoles contemporâneas. Se fizermos fazemos esta conexão entre o bem comum e a produção, temos que pensar na economia política, no poder, nos rendimentos e nos conflitos.
No entanto, devido a tradição do privado e do público, da propriedade e do individualismo, é difícil enxergarmos a propriedade coletiva com nossos olhos do final do século XX. Propomos, portanto, uma busca ao bem comum, por meio de um processo de mapeamento. Entendemos a cartografia, segundo proposto por Deleuze e Guattari, e como artistas e ativistas sociais a têm a usado durante a última década, como uma atuação que pode se converter em uma reflexão, uma obra de arte, uma ação social.
O Rio de Janeiro, uma das metrópoles historicamente em estado de exceção, onde os recentes protestos apontam para a mobilidade urbana como um bem comum e reivindicam o direito à cidade, uma cidade que se tornou rebelde (Harvey), é o objeto deste projeto de mapeamento. O laboratório consistirá em uma oficina intensiva de sete dias, com o âmbito das ações na área metropolitana. Os estudantes de Comunicação formarão equipes multidisciplinares com estudantes de Arquitetura, Artes e Geografia para produzir relatos, vídeos e representações cartográficas, seguindo um método empregado anteriormente nas oficinas do projeto Mapping the Commons em Atenas e Istambul.
Ir a web do projeto.

6/11 – Economia do comum em rede/colaborativa/crowdfunding.
Como se organiza essa nova economia das redes? Como funcionam as experiências de coletivos que utilizam moedas próprias de circulação?

13/11 – Jogos eletrônicos e “Tecno-mestiçagem”.
É possível incluir as estratégias de reapropriação do entretenimento contemporâneo dentro de uma lógica de antropofagia e hibridização? A gambiarra como proposta de operativo conceitual. Redes de sociabilidade, autoformação e tutoria como campos de resistência.

27/11 – Formação: Experiências educacionais e de auto-formação em rede.
Espaços de sociabilidade, instrumentalização e tutoria como campos de resistência.


Bibliografia:

CASTELLS, Manuel; CARDOSO, Gustavo (Orgs.). A Sociedade em Rede: do conhecimento à ação política; Conferência. Belém (Por) : Imprensa Nacional, 2005.
CASTELLS, Manuel. Redes de indignación y esperanza. Los movimientos sociales en la era de Internet. Alianza Editorial, 2012.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. “Introdução: Rizoma”. In: Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia. Vol. 1. Editora 34, 1995.
DELINIKOLAS, Demitiri, DE SOTO, Pablo, DRAGONA, Daphne. Mapping the Urban Commons. A new representation system for cities through the lenses of the commons. Hybrid City, 2013.
FOUCAULT, Michel. Estética: literatura e pintura, música e cinema – ditos & escritos III. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009.
FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Ed. Hucitec, 1985.
HARDT y NEGRI, Commonwealth. El proyecto de una revolución del común, Michael Hardt y Antonio Negri, Akal 2011.
HARVEY, David. Ciudades rebeldes. Del derecho de la ciudad a la revolución urbana. Akal 2013.
GALLOWAY, Alexander. Protocol: how control exists after decentralization. The MIT Press Cambridge, Massachusetts London, England, 2004.
JOHNSON, Steven. Cultura da Interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
KITTLER, Friedrich. “There is no software”. In: KITTLER, Friedrich; JOHNSTON, John (Org.). Literature, Media, Information Systems: Essays (Critical Voices in art, theory and culture). New York: Routledge, 2012.
LATOUR, Bruno. Reagregando o social: uma introdução à teoria do ator-rede. Salvador: EDUFBA, 2012.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.
PADILLA, Margarita. El Kit de la Lucha en Internet: para viejos militantes y nuevas activistas. Madrid: Traficantes de Sueños, 2012.
PARIKKA, Jussi. Digital Contagions: A Media Archaeology of Computer Viruses. New York: Peter Lang Publishing, 2007.
PARIKKA, Jussi; SAMPSON, Tony. The Spam Book: On Viruses, Porn, and Other Anomalies from the Dark Side of Digital Culture. New York: Hampton Press, 2009.
TORET, Javier (coord.). Tecnopolítica: la potencia de las multitudes conectadas. El sistema red 15M, un nuevo paradigma de la política distribuida. Universitra Oberta de Catalunya, 2013.


Vagas:

50 para os estudantes da ECO/UFRJ (inscrições pelo SIGA) é 30 para extensão (mediante formulário de inscrição).


Inscriçoes extensão:

Inscrições até dia 25/08. Resultado da Seleção para os alunos de extensão até dia 28/08.



Mais infos:

cursoredesjogosmapas@gmail.com

2 pensamentos sobre “Curso Redes, Jogos, Mapas

  1. Pingback: Oferta de curso em nível de graduação: “Redes, Jogos, Mapas” | MediaLab.UFRJ

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