#ProtestoRJ: atores menores fazem a rede

Por Fernanda Bruno, Liliane Nascimento e Natália Mazotte 

Grafo produzido com a rede de retuítes com a hashtag #protestoRJ dos dias 16 e 17 de junho.

Grafo da rede de retuítes com a hashtag #protestoRJ dos dias 16 e 17 de junho de 2013.


O primeiro traço a destacar na rede de retuítes #ProtestoRJ é uma particularidade na relação entre centro e periferia. Como se pode perceber no grafo relativo ao dia da primeira grande manifestação de rua no Rio de Janeiro, a maior parte dos grandes nós (correspondentes aos perfis e cujo tamanho é proporcional ao volume de retuites recebidos) está na periferia, enquanto os pequenos nós ocupam massivamente o centro da rede. A primeira curiosidade consiste nisso: os perfis com maior popularidade foram empurrados para a periferia. Por quê? Porque comportam-se como centros emissores, cujas mensagens são replicadas sem maiores transformações. De modo geral, falam pouco e para muitos. O número de tuítes do maior nó periférico da rede, o perfil @marcelotas, é de apenas 2 postagens. Além disso, os perfis são empurrados para a periferia também porque falam mas não fazem falar. Na língua do twitter, são retuitados mas retuitam pouco, tendo um baixo grau de interação com os outros nós (atores) da rede, comportando-se fundamentalmente como centros emissores e não como mediadores.

Já o centro do grafo está habitado por uma multidão de pequenos nós (atores) conectados entre si. E, como se pode ver, este centro é extremamente vasto, ocupando quase toda a rede. O que nos indica que a rede #protestosRJ, especialmente nos dias 16 e 17 de junho, é massiçamente constituída por uma multiplicidade de atores e ações “menores”, no sentido de ser formada por pessoas quaisquer, mas intensamente conectadas. Diferentemente dos grandes nós que estão na periferia, eles fazem falar muitos outros atores, pois não apenas são retuitados como retuitam muito. De fato, muitos dos que estão mais ao centro do grafo têm uma ação quase que inversa aos que estão na periferia. Em vez de terem um número pequeno de postagens com grande difusão, são os mediadores de um grande número de postagens vindas de diferentes atores. Não são pontos de difusão, mas pontos de mediação, tradução.

Na margem, intermediários; no centro, mediadores.

 

A comunidade

A comunidade do @marcelotas

Para entender melhor estas atividades de mediação e tradução, vale o contraste com a maioria dos perfis que retuita o maior hub periférico da rede (@marcelotas). A mancha laranja que circunda o perfil @marcelotas constitui a sua comunidade, isto é, aqueles com quem interagiu, o que neste caso significou apenas ser retuitado. Mas a questão não para aí. Uma grande parte daqueles que o retuitam não fazem nada além disso (no âmbito do #protestoRJ). Repassam a mensagem sem transformá-la. Não fazem agir nem falar, nem são retuitados por outros perfis. Vê-se que esta grande parte está na borda exterior do perfil @marcelotas, na extremidade da rede, não estabelecendo conexão com nenhum outro perfil. A mensagem é transportada e “morre” ali, naquele clique.

Diferentemente, boa parte das interações que ocorrem entre os pequenos perfis que constituem o corpo denso e conectado da rede implica transporte com transformação. Mediação e tradução, portanto, para falar nos termos da teoria ator-rede. Ou seja: estes perfis menores e quaisquer que povoam a rede têm suas postagens moderadamente difundidas, mas ao mesmo tempo propagam muitas e diferentes postagens de outros perfis cuja ação é similar. Um exemplo: o perfil @catupiry, que ocupa uma posição bastante central, é o perfil mais retuitado entre os que estão no centro, o que o torna mais robusto que os demais. Trata-se de um perfil híbrido: assim como alguns que estão na margem do grafo, dedica-se pouco a retuitar postagens sobre o #protestoRJ e ele próprio não fala muito sobre tal tema, mas o pouco que diz é muito propagado.

Rede em torno do ator @catupiry

Detalhe da rede com @catupiry ao centro

 

Mas o que diferencia @catupiry de @marcelotas, que tem comportamento similar, mas é empurrado para a margem? Os outros. O que traz @capupiry para o centro, apesar dos seus escassos enunciados sobre o #protestoRJ, é o fato de ele ser retuitado por perfis que agem de modo quase inverso ao seu, fazendo falar muitos e diferentes outros que estão narrando profusamente o #protestoRJ. O fato de ele estar conectado a mediadores da rede o traz para o centro; enquanto o fato de @marcelotas ser propagado por meros intermediários o expulsa para a borda.

Eu é um outro, muitos outros.

Este exemplo ilustra algo essencial nestes grafos: a posição que você ocupa na rede não é determinada por suas intenções, motivações e nem mesmo por sua reputação ou popularidade. Tudo isso tem alguma influência, mas não é determinante. Quem determina a sua posição são os outros. Claro que o fato de o perfil @catupiry ter muitos seguidores, assim como @marcelotas, influencia na incidência e propagação de suas postagens. Contudo, a posição que ocupam (em nosso caso, central ou periférica), depende do que os outros fazem com o que eles dizem e com o modo como esses muitos se conectam a tantos outros. É curioso que um perfil de São Paulo/Florianópolis (caso do @catupiry) tenha uma posição tão central numa rede sobre os protestos no Rio de Janeiro. Este narrador distante (em muitos sentidos) é, entretanto, muito conectado a perfis locais e extremamente envolvidos com os protestos na cidade. Está, por exemplo, associado a outros nós (atores) relativamente pequenos, mas que produzem e reproduzem conteúdos muito diversificados (fugindo do padrão poucos tuítes com muita incidência) diretamente ligados às ruas e à manifestação do dia 17 de junho: pedidos por socorro médico e por advogados para defender manifestantes; denúncias contra a violência da polícia e alertas sobre as câmeras públicas desligadas etc.

Estes atores menores fazem muitos outros falarem, repassando postagens com forte carga afetiva e diretamente conectadas às ruas. Enquanto os intermediários do @marcelotas o empurram para as bordas da rede, os mediadores conectados a @catupiry fazem com que um peixe fora d’água ganhe uma posição de centralidade. Eu é um outro. Na verdade, muitos outros.

Quando um enunciado se propaga por muitos e distintos perfis que não apenas o repassam adiante, mas o conectam a diversos outros sobre o mesmo tema (#hashtag), ele se mistura a outras tantas postagens e ganha novos trajetos. Em vez de transportarem sem transformar, como meros intermediários, ou de apenas atuarem como polos emissores, sem fazer outros falarem, operam como mediadores deslocando o enunciado de sua trajetória inicial e o colocando em conexão com muitos outros. Estas múltiplas mediações constroem, em grande escala, uma rede de enunciados menores, coletivos e conectados. Rede extremamente densa e diversificada de pequenos atores atuando como mediadores. As imagens de uma multidão sem nome, sem protagonismos ou lideranças, recorrentes nas análises sobre os protestos que desde junho multiplicam-se pelo país, encontram um correlato informacional materializado nessa rede de fluxos de enunciados em torno do #protestoRJ.

A rua dentro das redes

A leitura das postagens dos dias 16 e 17 de junho indica que a maioria dos perfis que forma o corpo denso da rede está relatando seja diretamente desde a rua, seja atentamente conectada aos acontecimentos, afetos e todo tipo de informação e solidariedade sobre o que se passa na manifestação. Há, contudo, uma diferença entre os perfis mais periféricos e os demais. Os primeiros, de modo geral, restringem-se a poucos enunciados sobre o #ProtestoRJ e alguns dos maiores hubs da margem são perfis cuja relação com os protestos parece ser eventual, uma vez que a maior parte de suas postagens passa ao largo das temáticas presentes nos protestos. Este não é o caso, contudo, dos perfis da “rubrica” anonymous, dois grandes hubs da margem muito próximos aos protestos. De toda forma, na maior parte dos enunciados que povoam o meio da rede, reverberam palavras da rua:

Sinal dos celulares tá caindo muito, 3G sumiu. Quem puder, libera o wifi ali na região do Centro. #protestorj

ATENÇÃO: quando os policiais correrem pra cima, NÃO VÃO PRA PRAÇA MAUÁ! as câmeras de segurança da rua já foram desligadas!!…

Bombeiros do Rio aderiram ao protesto. 2 mil pessoas ja se encontram na Cinelândia #protestorj

acho que todos ja sabem mas: na frente do CCBB será montada uma tenda de socorro medico #protestorj

#protestorj Estão revistando as pessoas na saída da Estação da Carioca

É IMPORTANTE GRITAR MAS INFORMAR TAMBÉM É IMPORTANTE GALERA. #VEMPRARUA #VEMPRAINTERNET #PROTESTOSP #PROTESTORJ #PROTESTODF

Ou imagens e sons das ruas:

QUE COISA MARAVILHOSA! #protestorj #vemprarua @grifanti: Olhem essa imagem, sensacional http://t.co/tRufXUTmXf


ruas 16-17

Áudio do reporter da CBN desesperado com as manifestações https://t.co/Ib0vCw877v #protestorj

Streaming ao vivo do que esta acontecendo no Rio #protestobr #protestorj – http://t.co/ewCN2brsyfEx

Ou ainda postagens sobre o suposto vandalismo, grande parte sob protesto, mas não sem outras perspectivas presentes:

TÃO JOGANDO COQUETEL MOLOTOV NA ASSEMBLEIA NO RIO!!! VANDALISMO NÃO!!! #PROTESTORJ

Revolução não acontece sem a evolução dos participantes. Vergonha dos vândalos do RJ #protestorj

Gente, divulguem que quem começou o vandalismo foi um grupo muito pequeno de pessoas. Nem 5% de quem tava lá. #protestorj

Vandalismo é o que andaram fazendo conosco todos esses anos. #protestorj #TodaRevoluçaoComeçaComUmaFaísca

Qual é galera, não vamos perder a razão! Sem baderna e vandalismo! #ProtestoRJ

infelizmente o vandalismo é o único meio de fazer com que o Governo tenha noção da nossa revolta ! #protestorj #chamanovin…

precisamos deixar claro que a manifestação pacífica CONTINUA!!! NÃO FOI SUBSTITUÍDA pelo vandalismo! #protestorj

Aqui na ALERJ a chapa tá quente! Pronto! Acabou a manifestação e começou o vandalismo! #protestorj

100 mil manifestantes no rio e um pequeno grupo fazem uma baderna, isso não quer dizer que todos são vandalos #ProtestoRJ

OS MANIFESTANTES ESTÃO DISPOSTOS A IDENTIFICAR E DENUNCIAR OS VÂNDALOS! FORÇA RIO DE JANEIRO! #protestorj

Bombas de gás e balas de borracha contra pessoas desarmadas, mas se tiver algo quebrado é culpa dos “”vândalos”” #protestorj

Veja infográfico: Frequência da palavra ‘vândalo’ na rede #protestoRJ por dia

Outra característica interessante no conteúdo das postagens são os comentários sobre o que está sendo noticiado nos grandes canais de comunicação, especialmente televisivos. As imagens, sons e informações vindas da rua entram claramente em confronto com o que a grande mídia acha por bem publicar.

A palavra mais repetida pela #globonews: vandalismo. #protestorj

RECORD SENSACIONALISTA, SÓ MOSTRAM O VANDALISMO, E A POLÍCIA REPRESSORA, NADA NÉ #protestorj
Na Globo, NENHUMA palavra sobre o #protestoRJ, nem uma imagem, nem uma citação. Parece que simplesmente não aconteceu. (pouca incidência)*

A revolução não vai ser televisionada, vai ser tuitada! #protestorj #ditadura #repressão #censura http://t.co/w0d8uBlRqL

Mas onde está a grande mídia?

Curioso notar que a grande mídia está quase ausente nesta rede. Nenhum dos grandes jornais ou redes de televisão está visível no grafo dos dias 16 e 17 de junho. Entre os jornais, canais de televisão e portais das organizações Globo, o @jornaloglobo, por exemplo, só recebe um pequeníssimo número de retuítes (52 no total) de uma única postagem sobre pânico na Quinta da Boa Vista (RT @JornalOGlobo: Frequentadores da Quinta da Boa Vista relatam pânico durante o #protestorj. Acompanhe: http://t.co/9vm4DjbNri). O @canalglobonews e a @rede_globo estão completamente ausentes: não recebem nenhum retuíte e não retuitam ninguém. O perfil @OGlobo_Rio recebe 2 míseros retuítes da seguinte postagem:

RT @OGlobo_Rio: Manifestantes entram pela Rio Branco com papéis picados sendo jogados dos prédios #ProtestoRJ.

Enquanto os perfis do portal G1 só não estão inteiramente ausentes da rede por conta de um único retuite de uma única postagem do @g1 que curiosamente não fala do protesto de 100 mil pessoas no Rio de Janeiro, mas sim de Brasília.

RT @g1 AO VIVO: Várias pessoas invadem a entrada do Congresso http://t.co/1xHc9fvxxf #ProtestoBR #ProtestoBR #protestoRJ #protestoSP

Além da quase ausência da maior corporação de comunicação do país, com sede na cidade do Rio de Janeiro, há uma diminuta participação do jornal O Dia, que tem um de seus perfis, o @odia24horas um pouco mais ativo, com 61 retuites de postagens mais diversificadas, todas com informes sobre a manifestação do dia 17 de junho. A não tão grande mídia com maior ‘autoridade’ na rede dos dias 16 e 17 de junho é o portal @terraovivo, que recebe 363 retuites de postagens que relatam, em sua maioria, os confrontos na Alerj e depoimentos de manifestantes diretamente das ruas, muitos deles denunciando a violência policial.

Esta quase ausência da grande mídia, acompanhada da massiva presença de pequenos atores densamente conectados e ativos não persiste na rede #ProtestoRJ dos dias 20 e 21 de junho, ocasião da maior manifestação no Rio de de Janeiro desde o início dos protestos.

A grande mídia entra na rede, mas fica na borda.

Grafo da rede de retuítes dos dias 20 e 21 de junho

Grafo da rede de retuítes em torno da hashtag #protestoRJ nos dias 20 e 21 de junho de 2013

A grande mídia entra claramente na rede e ganha posição de “autoridade”, conforme se pode ver no grafo dos dias 20 e 21 de junho. Os maiores hubs da rede são o @jornaloglobo e o @jornalodia. Contudo, eles ficam na borda. Em outros termos, ganham autoridade, mas não centralidade (cf. Malini). Já explicamos porque isso acontece. Aqueles que tomam @jornaloglobo e @jornalodia como autoridades são perfis que se comportam como intermediários, pois reproduzem o que eles dizem, mas não estabelecem outras formas significativas de conexão com outros perfis/atores em torno do #protestorj. O enunciado, em vez de ganhar uma escala coletiva e reticular, fica restrito a um conjunto de seguidores que, embora numerosos, funcionam como uma comunidade-enclave. Na imagem se vê claramente esta comunidade constituída pelos feixes verdes e laranjas saindo de @jornaloglobo e de @jornalodia, respectivamente.

Rede em torno do @jornaloglobo

Comunidade do @jornaloglobo

Rede em torno do @jornalodia

Comunidade do @jornalodia

Nota-se que as postagens, nestes casos, não prosseguem viagem; os perfis que as reproduzem não estabelecem novas conexões e, neste sentido, não fazem rede. Diferem, assim, daqueles perfis menores e mais conectados que constituem propriamente as tramas da rede. Diferenciam-se também do @rio_news, perfil de notícias sem maior reputação, mas que ganha tanto autoridade quanto centralidade, pois mesmo tendo uma comunidade-enclave em seu entorno, está conectado a perfis com maior número de conexões ao centro da rede. Entretanto, a densidade das conexões na rede #protestoRJ nestes dias é expressivamente menor que nos dias 16-17 de junho. Não apenas o número de retuites nos dias 20 e 21 de junho é muito menor (3.766 mensagens, contra 39.808 no dias 16 e 17 de junho), como há um aumento relativo dos intermediários proporcionalmente aos mediadores. Curiosamente, esta é a ocasião da maior manifestação de rua no Rio de Janeiro. As relações entre as ruas e a rede #protestoRJ no twitter nestes dias ainda resta entender. A seguir.

Anúncios

Tutorial sobre captura, tratamento e visualização de dados.

Untitled-1Descrição de um percurso, dentre muitos possíveis, para se chegar à composição de uma cartografia de fluxos de postagens da rede social Twitter. Para tanto, foram usados 3 softwares: yourTwalpperKeeper (captura de dados) RStudio (tratamento de dados estatísticos) e Gephi (visualização de dados).

Acesse o tutorial aqui.

Os mapas do #15m

interacciones usuarios
Da biocomputação a os sistemas de alertas para parar despejos, as redes e cientistas sociais alrededor do movimento #15M que tem começado na Espanha em 2011 vem elevando o arte da cartografia a novas cotas de participação democrática e ação cidadã em rede. O artigo describe o contexto desta innvocão tecnosocial bottom-up e propõe uma categorizacão destas práticas diferençando mapas de análises e diagnóstico, mapas de representação do movimento, mapas conceituais e mapas para a ação.

Continuar lendo

Cartografias sob Controvérsia

O próximo encontro da série “Coletivos Controversos”, realizado pelo NUCC/UFRJ, MediaLab/UFRJ e Centro de Estudos Nilton Campos, vai discutir e confrontar diferentes estratégias de uso da cartografia como metodologia para pesquisa em ciências humanas e sociais, bem como para a intervenção sociotécnica e política. As cartografias que vêm sendo realizadas pelos integrantes dessa série de encontros têm duas fontes principais de inspiração: as pistas indicadas por Deleuze & Guattari e aquelas apontadas pela teoria ator-rede. A primeira inspira cartografias de pesquisa-intervenção e cartografias críticas; a segunda inspira cartografias de controvérsias. Neste encontro, discutiremos as interseções, tensões, limites e potencialidades desses ensaios cartográficos.

O encontro acontecerá no dia 10/10, quarta-feira, às 14h30, na sala 2 do Instituto de Psicologia da UFRJ. Av. Pasteur, 250, fundos. 

Bibliografia de referência:

E. Passos.; V. Kastrup.; L. Escóssia (Org.) Pistas do Método da Cartografia. Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009.

J. Pérez de Lama. La avispa y la orquídea hacen mapa en el seno de un rizoma: Cartografía y máquinas, releyendo a Deleuze y Guattari. Pro-Posições. 2009, vol.20, n.3

T. Venturini (2010) Diving in magma: how to explore controversies with actor-network theory, 258-273. In Public Understanding of Science 19 (3).

______________ (2012) Building on faults: how to represent controversies with digital methods, 796 – 812. In Public Understanding of Science 21 (7).