Projetos

Dados pessoais na Internet
Prof. Coordenador: Fernanda Glória Bruno
Equipe: Anna Carolina Bentes, Liliane da Costa Nascimento e Rafael Lins

Boa parte da atual paisagem informacional por onde navegamos na Internet é constituída por dados produzidos pelos próprios usuários desta rede. Estima-se que cerca de 70% do conteúdo da Internet no ano de 2011 seja gerado pelos usuários. Este contexto reconfigura, de imediato, as condições de produção, circulação, rastreamento, registro, tratamento e classificação dos dados pessoais na rede. Esta reconfiguração está em curso e a noção de dado pessoal está hoje no seio de uma série de disputas que implicam diferentes atores – econômicos, tecnológicos, políticos, jurídicos, sociais – cujas redes digitais de comunicação são a arena privilegiada. Não há acordo nem sobre o que é um dado pessoal no contexto da comunicação digital, nem mesmo sobre suas condições de coleta, arquivo e utilização. Tais disputas se dão hoje em quase todo o mundo, envolvendo tanto aspectos globais quanto locais.

No Brasil, as disputas e controvérsias acerca dos dados pessoais na Internet vivem um momento privilegiado, uma vez que se inicia uma série de projetos e debates, desde 2010, visando regulamentar a Internet, com implicações diretas para a problemática dos dados pessoais neste contexto, a qual, inclusive, é objeto de um projeto de lei específico, proposto pelo Ministério da Justiça em 2010. Ainda que tais controvérsias sejam claramente presentes no âmbito legal, elas se apresentam em muitos outros domínios: comercial, tecnológico, científico, político, social etc. O que se define como dado pessoal nas redes digitais? Quais são as definições em curso e quais são os atores que as formulam? Quais são os principais conflitos e interesses em jogo? Estas são algumas das questões que orientarão esta cartografia, voltada para as principais controvérsias acerca dos dados pessoais na Internet brasileira. Tais controvérsias têm implicações não apenas para problemas relativos à privacidade, ao anonimato e à liberdade de expressão na Internet, como para os próprios limites e possibilidades de produção, circulação e utilização da informação na rede, os quais estão estreitamente vinculados a esta disputa.

O auto-conhecimento através dos números: as práticas de auto-monitoramento dos quantified selves | Liliane da Costa Nascimento

Esta cartografia visa analisar as práticas de auto-monitoramento dos quantified selves, um movimento originado em 2008 na região da Baía de São Franciso, na Califórnia (EUA), e que reúne pessoas que visam gerar melhorias em suas vidas, seu cotidiano e sua saúde a partir da produção de indicadores sobre diversos aspectos de sua existência. Nosso objetivo principal é descrever o grupo nos termos da teoria ator-rede, situando os atores, agências e disputas que nos permitem compreender as práticas a que se lançam estes indivíduos. Para isso, estamos recorrendo aos arquivos e documentos existentes sobre este movimento na internet, investigando, através de métodos quali-quantitativos, o blog institucional do movimento, blogs de auto-monitoradores e matérias jornalísticas sobre o tema. Analisaremos também serviços e ferramentas de auto-monitoramento e realizaremos entrevistas com integrantes do grupo, visando localizar as motivações e objetivos que justificam suas práticas. Investigaremos, assim, as relações que este tipo de monitoramento propõe entre procedimentos de coleta/trânsito de dados e práticas de controle e auto-controle. Esperamos, assim, situar os aspectos subjetivos e as implicações destas práticas para o campo da ciência e para a experiência da privacidade, compreendendo os processos sociotécnicos engendrados pela ampla rede de aconselhamento, motivações e dispositivos articulada por este movimento.

Direitos de imagem/direitos da imagem
Prof. Responsável: Maurício Lissovsky
Equipe: Danusa Depes, Juliana Martins, Marcelo Barbalho, Rita Toledo

Com a difusão da reprodutibilidade técnica da imagem, em meados do século XIX, assistiram-se às primeiras controvérsias públicas em torno dos direitos autorais das imagens (e junto como elas, os primeiros processos por violação destes direitos). A despeito da multiplicação dos dispositivos legais em âmbito nacional e internacional, estas sempre estiveram defasadas em relação às práticas e usos correntes tanto pela imprensa e outras agências de comunicação, como por artistas e pessoas comuns. E o que antes restringia-se apenas aos direitos dos autores, foi acrescido de direitos relativos aos intérpretes e ‘performers’ em geral. Mais recentemente, a “imagem” tem ocupado o centro de frequentes polêmicas. Há 150 anos tratava-se apenas de estabelecer a prevalência dos direitos dos originais sobre o direito das cópias. Hoje, o problema ganha complexidade porque a imagem não é apenas o resultado da ação humana mas algo que os humanos supõem possuir (material ou imaterialmente). A Internet e a tecnologia digital não apenas tornaram a reprodução das imagens exponencialmente incontrolável, como facilitaram todo tipo de mestiçagem e hibridação entre elas. Do mesmo modo, constitui vastas zonas de sombra que tornaram difusas e complexas as tradicionais distinções entre público e privado. Quanto mais imagens são postadas na rede, mais acirra-se a polêmica sobre quem tem direito sobre elas e em que circunstâncias este direito vigora. Deste debate participam intensamente jornalistas e outros profissionais de comunicação, representantes de empresas (desde pequenas agências a grandes conglomerados econômicos), advogados e juristas, artistas, cineastas, documentaristas, fotógrafos e todos os cidadãos que, na condição de “portadores de imagem”, consideram-se usurpados ou ameaçados em seus direitos.

Redes de vigilância e segurança no Rio de Janeiro: primeiras anotações
Prof. Responsável: Rosa Maria Leite Ribeiro Pedro
Equipe: Iara Rocha, Ana Cláudia Damásio, Antônio Costa, Cristiana Gonçalves

Esta cartografia busca trazer algumas contribuições preliminares de uma pesquisa sobre dispositivos tecnológicos de controle e vigilância, cada vez mais disseminados no cotidiano dos grandes centros urbanos e suas repercussões em termos das formas de sociabilidade que engendram. Considerando que as políticas públicas de segurança têm encontrado nos dispositivos de vigilância um importante aliado, focalizamos no presente estudo uma das políticas públicas de grande visibilidade na atualidade: as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O Projeto das UPPs é o carro-chefe da “política de proximidade” da Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, que visa recuperar territórios empobrecidos e dominados por traficantes e levar a inclusão social às comunidade locais. Por mobilizarem, em sua dinâmica, dispositivos tecnológicos variados – por exemplo, o videomonitoramento – pode-se considerar que as UPPs se configuram como um ator privilegiado na produção da sociabilidade contemporânea, conectando-se a e influenciando diversos outros atores. Os debates suscitados a cada nova ocupação circulam juntamente com relatos de melhorias na qualidade de vida da população, mas também de confrontos armados, prisões e revoltas, todos podendo ser compreendidos como os efeitos primeiros dessa nova intervenção. A proliferação desses efeitos (muitas vezes contraditórios) nos oferece indícios de que este não é um projeto de fácil execução; que foram, são e serão necessárias muitas negociações na tentativa de produzir esse “coletivo”. Nessa produção misturam-se questões ditas “técnicas”, “políticas”, “econômicas”, evidenciando o quanto os diferentes atores se apropriam e constroem diferentes sentidos para as UPPs.

Propomos, neste projeto-piloto de cartografia de controvérsias ,rastrear essas diferentes apropriações/traduções em termos das controvérsias que fazem emergir. Nessa estratégia de pesquisa, buscamos compreender as redes que articulam vigilância, segurança e UPP como um coletivo cuja forma é efeito de relações heterogêneas, de negociações, de deslocamentos de objetivos e de interesses. Assim, será preciso “seguir” estes diferentes atores – especificamente aqui os formuladores e executores das políticas de segurança e vigilância articuladas às UPPs, bem como aqueles que integram uma comunidade em que a implantação da UPP se fez acompanhar da instalação do videomonitoramento – acompanhando e descrevendo como se estabeleceram neste cenário e como participam de sua dinâmica. Para operacionalizar esta cartografia, propomos uma dinâmica temporal em que rastrearemos a gênese da configuração atual, em termos das dinâmicas de traduções recíprocas que concorreram para sua (meta)estabilização (entendendo que redes são efeitos de outras redes); as controvérsias que não encenadas na atualidade (quais os principais porta-vozes, que traduções são mobilizadas, e se há indícios de fechamento das controvérsias/estabilização); e prospecção futura, em termos do que os atores mobilizam quando prospectam as possíveis direções do coletivo (atentando para a potência ontológica de tais prospecções).

Considera-se que esta cartografia de controvérsias permitirá lançar luz sobre os novos arranjos sociais e urbanos, bem como sobre as formas contemporâneas de produção da segurança e da “paz” que se encontram em ação na cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista que as novas tecnologias de vigilância participam da configuração sócio-política da cidade.

Mediação, Mobilização e Governamentalidade: O problema da democracia na cibercultura
Prof. Responsáveis: Henrique Antoun

O objetivo geral dessa pesquisa é compreender o nexo entre interfaces comunicacionais, transformação subjetiva e mobilização coletiva na atualidade. Para tanto vamos investigar os circuitos de comunicação distribuída e conversação coletiva a fim de construir a cartografia de revoltas e mobilizações sociais que são articuladas, difundidas e afirmadas nas plataformas da chamada web 2.0. O desenvolvimento desse estudo se articula assim com novas abordagens sobre a conformação do ativismo na contemporaneidade, o que inevitavelmente significa redirecionar o olhar para o uso da Internet como um importante campo de expressão do relacionamento de si para consigo mesmo. Como apontamos anteriormente, a grande novidade contemporânea no circuito da produção midiática está no fato do aparecimento de uma infinidade de veículos produzidos pelos próprios usuários, que através dos conteúdos depositados nesses veículos, constituem redes sociais expressivas capazes de articular, ao mesmo tempo, uma nova agenda informativa e a constituição de movimentos, protestos e conflitos sociais. Buscamos reunir como campo empírico de análise a historiografia “menor” das mobilizações políticas das redes sociais, inscrita em hashtags, tweets, posts, páginas, códigos embeds e memes online, totalmente profusas e polissêmicas.

Observatório da Mobilização Coletiva do Rio de Janeiro nas Redes Sociais:  um estudo sobre a cartografia dos circuitos de comunicação e conversação nos movimentos de transformação política e social

Prof. Responsáveis: Henrique Antoun

Esse trabalho visa analisar os fundamentos teóricos que constituem os elementos ontológicos da liberdade na internet, num momento de metamorfose no uso da web – cada vez mais marcada pela emergência de veículos e circuitos de comunicação produzidos, abastecidos e disseminados pelas populações, que assumem um papel de protagonismo na produção de comunicação, ao se estabelecerem como líderes de opinião e coordenadores da ação coletiva, formando um público na web que participa ativamente dos processos de mobilização em rede. Para isso, tem como objeto de estudo a análise dos circuitos de comunicação distribuídas construídos através das coordenações e coberturas colaborativas das revoltas sociais que atravessam os grupos de redes sociais, as tendências de opiniões nos Trending Topics do Twitter e as análises e coberturas colaborativas das blogagens coletivas. O percurso metodológico será marcado pela análise dos âmbitos narrativo, organizacional, tecnológicos e social que constituem essas revoltas nas plataformas 2.0 da internet. Isso se dará graças ao recolhimento, a partir de ferramenta de monitoramento e armazenamento de toda a produção informativa dos perfis dos diferentes veículos das redes sociais (Blogs, Twitter, Facebook, Youtube e assemelhados) que atuam nos protestos e ganham notoriedade e popularidade, gerando notícia e visibilidade na mídia de massa. A principal relevância da pesquisa, assim, é fazer uma cartografia dos circuitos de comunicação e conversação junto das controvérsias debatidas pelos sujeitos que constituem as novas lutas sociais. O objetivo é produzir um observatório dos movimentos políticos e sociais do Rio de Janeiro, visando compreender os diferentes usos das diferentes interfaces de comunicação distribuída nas plataformas 2.0 e os circuitos de comunicação viva formados pelos movimentos em suas ações coletivas.

Redes Eletrônicas, Arte eTecnologia
Prof. Responsável: Ivana Bentes
 
Projeto de Pesquisa e Extensão – iintegração Pós e Graduação Mapear, a partir de leitura dirigida da bibliografia especializada no campo da Comunicação, as principais questões estéticas, políticas e de transformação da subjetividade que surgem com as novas tecnologias da comunicação e da imagem. Noções como as de hipertexto, redes, simulação, interatividade, virtualidade, complexidade, bio-tecnologia, contaminação, tempo real, são o ponto de partida para essa investigação. O objetivo específico da pesquisa é pensar esses conceitos desdobrados no campo da produção da arte e estética contemporânea (da chamada midiarte) fazendo uma contraposição com os conceitos tradicionais da história da arte (suporte, estilo, autoria, etc.) e buscar entender que estéticas da Comunicação emergem nesse contexto. Outro desdobramento importante é analisar as consequências não apenas estéticas, mas políticas e filosóficas do conceito de “redes”,atravessando campos distintos: culturais, artísticos e sociais. A partir da metáfora da “rede” e do hipertexto, procurar estabelecer conexões com os conceitos de rede e campo social, redes urbanas, territórios virtuais eletrônicos, territórios estéticos (arte em rede) e ativismo político. Metodologia. No campo da comunicação, as redes eletrônicas, por sua estrutura de hipertexto, não-hierarquizada, acentrada e em constante mutação, tem funcionado como parâmetro para uma reformulação das teorias da comunicação baseadas nas mídias tradicionais. Para analisar essas transformações escolhemos o domínio das chamadas artes eletrônicas ou web arte. Um campo experimental, onde uma série de experimentos (de cunho estético, subjetivo, logístico) são realizados e ecoados, reaplicados e/ou apropriadas pela cultura de massa, também em mutação. Um segundo campo de interseção e análise aplicada escolhidos são as questões ligadas ao ativismo político, que incorporam as estéticas da Comunicação às questões tradicionais da política.
Financiador(es): Universidade Federal do Rio de Janeiro – Cooperação.
Número de produções C, T & A: 56 / Número de orientações: 31

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