Cartografias Afetivas nas Nuvens das Raízes Profundas: Tupinambás na Mata Atlântica do Sul da Bahia

No Brasil, atualmente, são muitos os interesses e as perspectivas envolvendo – e produzidas no contexto – a cultura e o modo de ser indígena. Pode-se dizer que entre estas perspectivas e interesses há uma vasta gama de ações compartilhadas e embricamentos, mesmo que muitas vezes sejam posições contraditórias ou mesmo antagônicas. Expressas nos conflitos e controvérsias em torno das relações produzidas entre os próprios indígenas, movimento indígena, poder judiciário, mídias e o poder executivo, em especial quando se manifesta enquanto poder policial. Contudo, nos parece que em realidade mais que falar de um antagonismo essencial no contexto da cultura e modo de ser indígena, seria mais apropriado falar de um ‘agonismo’, como sugere Foucault no artigo O Sujeito e o Poder (1995), pois no fazer-se indígena atualmente há, certamente, um conflito, um combate, mas esse combate se dá por meio de uma incitação recíproca assim como de resistências entre as partes envolvidas. Estas, parecem, não se tratarem como ‘inimigas absolutas’, no sentido de lados opostos de uma guerra, onde o objetivo final seria exterminar o outro lado, estariam mais para “competidores”, no sentido de adversários numa partida, numa disputa. São produções de subjetividades distintas, que se confrontam mas não se anulam. Não se trata, portanto de uma simples oposição onde uma parte bloqueia a outra, ou onde uma parte não tem contato nenhum com a outra a não ser nos momentos da batalha, se trata mais de trocas e provocações permanentes. A proposta de cartografia apresentada aqui remete, dessa forma, a um espaço de disputa complexo e indeterminado.

Feitas essas considerações, podemos afirmar que um dos principais intuitos da cartografia é seguir os rastros e fragmentos – sempre em deslocamento e ocupando espaços diferenciais – que um fazer-se Tupinambá na mata atlântica no sul da bahia contemporaneamente, produzem. As análises e todo o material que será produzido e levantado, devem ser lidos, como um esforço de aproximação e presentificação – a partir da tentativa de unir teoria e prática – de algumas questões relacionadas a este produzir-se Tupinambá aqui e agora.

Verbete sobre os Tupinambá de Olivença feito pela antropóloga Susana Viegas:

Os Tupinambá de Olivença vivem na região de Mata Atlântica, no sul da Bahia. Sua área situa-se a 10 quilômetros ao norte da cidade de Ilhéus e se estende da costa marítima da vila de Olivença até a Serra das Trempes e a Serra do Padeiro.

A vila hoje conhecida como Olivença é o local onde, em 1680, foi fundado por missionários jesuítas um aldeamento indígena. Desde então, os Tupinambá residem no território que circunda a vila, nas proximidades do curso de vários rios, entre os quais se destacam os rios Acuípe, Pixixica, Santaninha e Una.

criança

Apesar da longa história de contato, a filiação ameríndia é fundamental para compreendermos a vida social dos Tupinambá de Olivença na atualidade. Não se trata de um resquício histórico remoto, mas de uma marca efetiva na organização social e modo de vida dos Tupinambá que hoje habitam a região. Entre outros aspectos, destaca-se sua organização em pequenos grupos familiares e certos gostos alimentares, como a preferência pela “giroba”, uma bebida fermentada produzida por eles.

Ainda que os Tupinambá de Olivença se considerem muitas vezes “caboclos” ou mesmo “índios civilizados”, isso nunca significou um abandono de sua condição indígena. O Estado retirou-lhes os direitos indígenas diferenciados a partir do fim do século 19, em função das visões restritivas que os órgãos oficiais tinham a respeito de quem era ou não indígena. Foi somente com a Constituição de 1988 que se criou abertura legislativa para que as solicitações dos Tupinambá de Olivença, e de outros povos, fossem ouvidas e pudessem ter respaldo.

Em 2001, os Tupinambá de Olivença foram reconhecidos oficialmente como indígenas pela Funai. A primeira fase de demarcação do seu território concluiu-se em abril de 2009 com a publicação do resumo do relatório de identificação e delimitação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença.

Retirado de: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tupinamba

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